Arquivo para Janeiro, 2008

Taubaté: Criação de jacaré desperta interesse da mídia

29/01/2008 - 19h

Diferente do que se possa imaginar, criar em cativeiro um grande número de jacaré-papo-amarelo pode tornar-se uma opção econômica e ser ecologicamente correta, simultaneamente. È o que tem provado cativeiro no Sítio Paturi, no perímetro da cidade de Taubaté. 

Jânio e um jacaré-de-papo-amarelo com cerca de 2 anos

Cuidar dos animais desde a reprodução das espécies adultas, seleção e coleta de ovos, alojá-los na incubadora até a eclosão, coloca-los no berçário, e depois no tanque, até que completem dois anos, é o trabalho do senhor Pedro Santos, que conhece cada etapa como um especialista.

O caseiro da propriedade de Jânio Lerário é também o responsável pela rotina de trabalho que a criação exige. Um trabalho que envolve dedicação, atenção com o animal e muita disposição, já que são muitos os cuidados para se reproduzir esta espécie selvagem em cativeiro. 
Pedro Santos é quem alimenta e cuida dos bichos todos os dias

Jânio Lerário comentou que ganhou as ‘matrizes’, os adultos em idade reprodutiva, de um programa da USP, desde que cumprisse com as normas estabelecidas para criá-los.Jânio começou o empreendimento em meados de 2004 e possui atualmente cerca de 300 jacarés, entre adultos e filhotes. Cada fêmea bota, em média, 30 ovos por ano e os filhotes da primeira ninhada do criadouro possuem, atualmente, cerca de 2 anos. “Já próximos do peso, medida e idade para o abate” explica o proprietário. Além dos 300 espécimes no sítio, na incubadora existe o mesmo número em ovos. “Que devem nascer em março” comentou o funcionário Pedro. 

O mercado para o jacaré é sofisticado e pode atingir cifras de até R$ 40 pelo kilo da carne, e US$ 1 o centímetro do couro, explica o empreendedor. Porém, Lerário destaca outro mercado que o interessa mais. “Cada matriz chega a custar R$1000” conta entusiasmado, já que em idade reprodutiva os animais tem praticamente as mesmas medidas necessárias para o abate. “Recebo ligações de pessoas interessadas em negociar, mas ainda não estou no mercado”. Jânio espera chegar ao número de 3 mil espécies, como foco na venda de matrizes. 

O criadouro
Despertou atenção de todas as mídias regionais o fato de existir uma criação de jacarés no Vale do Paraíba. Na verdade, a de Jânio é a segunda, pois em visita a um outro criadouro em Tremembé é que nasceu a vontade de investir neste segmento.Para poder trabalhar com um animal selvagem em cativeiro é preciso ter licença do Ibama e de órgão ambientais.

São pedidos relatórios anuais, como número de ovos, de espécies e demais informações. Além das normas técnicas exigidas, como incubadora com termostato (para controlar a temperatura dos ovos), tanques separados para os ‘bebês’, estufa para os filhotes e para os mais jovens e lagos para adultos.  

Estufa com os tanques para os jovens jacarés: ambiente quente e úmido

Cerca de 15 tanques, com 4 fêmeas e 1 macho cada, abrigam as matrizes. Em vezes, quando ocorre uma briga dentro destes tanques (que podem ser fatais ou deixar sérios ferimentos) eles são transferidos. Todo o excremento dos animais cai num tanque de decantação, para depois ser despejado no Rio Una. Isso em uma área total de 1 alqueire, dentro dos 36 que completam o sítio. A partir disso, o proprietário também tem idéias de se criar um parque ambiental, apresentando a espécie aos interessados, a criação e reprodução de cativeiro, numa área que tem 1200 metros de área reflorestada com importantes espécies em preservação, como o pau-brasil, jequitibá, entre outras.

 

Este projeto é pararelo, segundo Jânio, mas pode ser realizado até o número de matrizes almejado não seja atingido, levando informação e contato com a natureza aos olhos curiosos de quem nunca viu de perto um jacaré, de habitat original distante dessa região.

O proprietário se aventura e entra no tanque com mais de 20 jovens jacarés, de cerca de 2 anos

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